segunda-feira, 25 de junho de 2012

Vandinha


Seu nome era Vanda. Mais conhecida por familiares e os poucos amigos como Vandinha. Uma mulher comum, nem bonita, nem feia, nem alta, nem baixa, nem magra, nem gorda. Míope. Os enormes olhos azuis eram escondidos pela pesada lente que usava e o cabelo sempre preso, desgrenhado, não se sabe ao certo se bonito, feio ou apenas maltratado pela falta de vaidade que dominava aquele corpo, só se sabe que eram escuros, meio caminho entre o castanho e o preto. Não se vestia mal... Aprendeu com o tempo a se vestir “mais ou menos” bem, dentro do seu estilo para lá de casual e nada sexy. Vandinha não era uma mulher sexy. E sabia disso, não conseguia ser sexy, nunca. Nem quando perdeu a virgindade com um “doido” que dizia ver nela uma devassa reprimida, Vandinha achava muita graça disso, ela uma devassa! Imagina? Mal gemia quando transava com o ex...
Mas Vandinha admirava as mulheres sexys, seguras e que sabem se fazer bonitas, mesmo quando não são. Queria muito ser uma delas, mas não conseguia, travava. Abaixava a cabeça e seguia em frente. Preferia calçola à calcinha, calça ao invés de vestido, um livro ao invés da “night”, mas de uma coisa Vandinha tinha certeza e convicção: Gostava de HOMEM, com certeza absoluta, mas não tinha idéia de como se aproximar deles... Desconfiava que tudo isso era por causa da sua infância difícil e dos problemas que teve.

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Era solitário o caminho diário de Vandinha, voltava sempre do trabalho a mesma hora, ia ao mercado há mesma hora e todos os dias sempre iguais. Isso a deprimia, mas não tinha escolha, essa era sua vida, trabalhar como secretária de um empresário linha dura, em uma empresa capitalista e rígida. Acordar a mesma hora, fazer tudo sempre igual, chegar em casa e nada diferente acontecer, alguns finais de semana sua amiga Marcela aparecia para conversarem, mas os encontros cada vez menos freqüentes depois que Marcela casou... Às vezes para desestressar Vandinha bebia sua solitária taça de vinho, se masturbava, imaginava mil histórias, mil fantasias, se divertia sozinha mesmo. Mas sentia um vazio depois da sensação boa que passava. Cada vez mais Vandinha se retraia e vivia seu mundinho de fantasias e fortes emoções. Por mais que soubesse que isso não era bom, não conseguia se livrar desse ciclo vicioso, desse sistema que a sociedade vive e que ela havia caído e não conseguia se levantar: A solidão no meio da multidão.

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Já passava de 21 horas... Vandinha voltava do Mercadinho, no mesmo trajeto de sempre, pela rua entre os condomínios, escura e naquele dia estava mais escura ainda, parecia que dois postes estavam quebrados, não sabia ao certo. Apertou o passo em direção a sua casa, sentiu uma presença por trás dela e quando ia virar-se, subitamente alguém colocou a mão na sua boca, a agarrou e disse no seu ouvido, um sussurro aterrorizante:
- Quieta! Sou mais forte que você, não adianta se debater, nem gritar.
Vandinha não entendeu muito bem... O susto, o medo, eram mais fortes, se debateu e tentou gritar, pensou que iria desmaiar. O homem a colocou em um carro, estacionado na parte mais escura da rua.
Vandinha chorava e tremia. O homem senta-se ao lado dela e diz ainda sussurrante:
- Não vou te machucar... Mas quero que você fique quietinha. Tira a roupa.
Vandinha treme. O homem alisa seus cabelos e solta o rabo de cavalo, beija seu pescoço, tira seus óculos.
-Não tenho pressa.
Empurrou Vandinha de leve, deitando-a no banco de trás do carro. Continuou lambendo e beijando seu pescoço, levantou sua blusa, passou a mão nos seus seios, lambeu e chupou seus bicos rosados com muita calma. Vanda continuava nervosa, mas a calma do tal homem acabou a fazendo relaxar e ficou quieta, sem se tremer... Não era ruim, estava gostoso, mas o pensamento de que aquele homem poderia matá-la a qualquer momento, não saia da sua cabeça, pensava: Deve ser um psicopata, maníaco, maluco...
O homem abaixou a calça jeans dela, colocou a mão entre suas pernas e continuou a chupar e lamber seus seios. Vandinha sentia repugnância, mas estava excitada ao mesmo tempo, estava confusa, queria se entregar, gemer, falar que estava gostoso, mas estava bloqueada... O homem desce até sua calcinha molhada e enfia a língua com muita vontade. Ela geme baixo, o homem chupa e lambe cada vez mais rápido, ele também está excitado em ver Vandinha gostando... Vandinha geme alto, molha-se mais.
- Vou colocar uma camisinha e enfiar em você... Olha como estou.
Mostra seu membro, duro, firme, grosso. Vandinha ergue-se da posição em que estava e retribui abocanhando o tal homem. Aquela era uma Vandinha que ninguém conhecia, nem ela própria. Transaram ali por horas...

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Vandinha não disse uma palavra sequer. O homem disse:
- Sei tudo sobre você Vanda, mas você sequer me olhou, nunca. Quero você de novo. Vou estar aqui, amanhã nesse mesmo horário. Não te agarrarei a força, nunca mais... Se você quiser, vai entrar no meu carro, por querer...
Vandinha, ainda sentia um misto de raiva, nojo e todos os sentimentos repuguinantes juntos. Sua maior raiva era que no fundo ela gostou do homem que a obrigou a transar com ele. Queria matar aquele filho da puta! Mas também queria mais sexo com ele... Que metido! Achava mesmo que ela iria passar amanhã pra ser agarrada de novo pelo safado, filho da puta?
Vandinha reparou no homem, era alto, moreno, não era muito bonito, os dentes eram bem cuidados e o álito era bom, os olhos profundos e o cabelo bem cortado, Vandinha era péssima com marcas de carro, mas sabia que aquele era um carro caro...”Por que será que um homem desses me agarrou a força? Como ele sabia seu nome?”  Vandinha estava confusa, mas continuava calada, sem perguntas e sem respostas.
Ela fechou a cara e seguiu seu caminho em direção a sua solitária residência. Só que Vandinha dessa vez estava diferente dos outros iguais dias...

Continua na próxima postagem... 

3 comentários:

Karamello disse...

Quem é ele...
O patrão, "linha dura" (?)
Continua, continua...
Queremos o dia seguinte!

Jacques disse...

Boa noite, Fabiana.
Ótimo conto este, parabéns.
Solidão é bucha mesmo, mexe com as pessoas e as faz tomar atitudes estranhas.
Abraço.

Francisco maniçoba disse...

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