segunda-feira, 4 de julho de 2011

O coração - Parte II


O nome dele é Saulo. Pensava nisso enquanto se dirigia ao hospital a qual o doente encontrava-se. Pensou também que nunca escutaria um nome sem uma triste noticia, já que realmente achou que o “moreno maravilha” iria morrer. Mas não morreu. E parecia que todos atribuíam a salvação do homem a suas mãos. Mas ela não sentia, só queria saber como estava e prestar solidariedade.
O quarto indicado era aquele a poucos metros, o coração parecia pular fora do peito, respirou, tomou coragem e foi... Deu três passou e deparou-se com uma mulher abrindo a porta do quarto. Devia ter por volta de 20 anos, era mulata e muito bonita. Recuou. Achou melhor não ir, poderia ser a esposa do tal homem. Deu as costas e foi embora.
A moça que saiu do quarto se dirigiu a recepção do hospital e perguntou:
- Ninguém ainda? Meu pai está todo ansioso pela visita da tal mulher misteriosa que salvou sua vida. Acho que o nome dela é Mariana... Acho que é...
-Mariana?
Pergunta a recepcionista do hospital. Continuando após um sim feito com a cabeça da filha de Saulo.
-Mariana veio sim, já deve estar lá...
A moça volta em direção ao quarto, a fim de agradecer tal mulher por ajudar a salvar a vida do seu pai. Mas encontra apenas seu pai, com os olhos arregalados, provavelmente por achar que sua salvadora entraria na porta naquele momento.
-Pai, que estranho! A recepcionista do hospital disse que a tal Mariana veio, mas cadê? Será que se confundiu?
-Provavelmente Giane. Ela não deve vir. Quando me recuperar procuro por ela.
Saulo ficou triste, mas procurou disfarçar o sentimento para a filha Giane, que percebeu tudo. O pai estava muito “a fim” da tal mulher...
Giane ri, mas disfarça melhor que o pai.


Mariana caminha em mais uma bela manhã. O sol estava límpido, mas não fazia calor, tempo perfeito e calmo. A cabeça estava longe mais uma vez e escuta uma voz nada amigável, virando-se bruscamente:
-Cadê o celular dona? Cadê o relógio? O que é que tu tem ai de bom pá mim?
Era um assaltante, parecia estar bem alterado e queria sair no lucro a qualquer custo, só que Mariana nunca saia para caminhar com nada valioso, então, o meliante revolta-se, alterando seu estado para mais violento, empurrando Mariana no chão e preparando-se para surrá-la. Mariana não vê nada, só escuta outra voz aproximar-se e vê uma luta. O assaltante vai embora, xingando e fazendo gestos feios, Mariana tenta levantar-se e vê uma mão se estendendo, olha para a mão, os olhos ainda estão vertiginosos, respira e segura na mão, quando o corpo chega ao seu eixo, percebe que o homem que a salvou é Saulo. Olham-se por alguns segundos. Saulo tira o cabelo do rosto de Mariana e pergunta:
-Você está bem?
Mariana não responde. A voz não havia voltado a seu estado normal e o coração palpitava pelo ocorrido a pouco e pela presença de Saulo. Então ela responde:
-Estaríamos quites?
Risos, Saulo responde:
-O que você fez por mim foi muito mais importante. E foi um prazer “salvar” você, imagina que até agora segura minha mão...
Mariana percebe então que segurava nas mãos de Saulo, desde que ele as ofereceu para levantá-la. Mariana sente o rosto ficar rubro.
-Ah! Desculpa! E que eu fiquei muito nervosa!
-Imagina pode segurar...
Mas Mariana não torna a segurar e percebe os corpos muito juntos.
-O que faz por aqui sem estar correndo?
-Eu vim procurar você... Estou proibido pelos médicos a voltar correr do jeito que eu fazia... Precisava te agradecer, te reencontrar...
-Sabe, quando te via correr aqui, pensava que você se esforçava demais... Te apelidei mentalmente de The flash...
Os dois riem e Mariana continua:
-Vai sentir falta de praticar esportes como fazia antes. Está proibido de todo e qualquer esforço?
Saulo para, olha para Mariana e diz:
-Não tem proibição médica nesse mundo que me faça parar de fazer alguns esforcinhos...
Os dois riem novamente e com os rostos bem juntos sentem o calor um do outro, a mão de Saulo desliza do braço para a cintura da moça, os corpos se juntam mais, se apertam, se atraem e os lábios se juntam, a temperatura aumenta, a atração entre ambos era inevitável... Beijam-se e o ritmo dos corações era o mesmo, louco e desenfreado, Saulo aperta Mariana contra seu corpo, seu coração bate a um ritmo que não deveria bater, Mariana afasta Saulo do seu corpo e Saulo sente algo estranho. Mariana diz:
-Não! Melhor não...

Continua...

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