terça-feira, 24 de novembro de 2015

Fullgás


Me abraça assim
Apertado
Com mãos que me envolvem e me arroxeiam.
Me leva pro teu quarto
Me joga na tua cama
Me morde, me lambe, me chupa...

Diz assim, com voz que fascina:
-“Olha pra mim, nos meu olhos, quero olhar bem no fundo deles.”
Eu sou só um sorriso de menina, no corpo de mulher, que sabe o que quer.
E eu quero me deliciar no seu corpo, no seu suor, na sua boca...

Ah! A sua boca! Sua boca que sabe onde beijar, onde lamber, onde morder
Sabe me deixar louca
Essa boca que morde e lambe em lugares inesperados
Dobras, curvas, tendões.
Um gemido
O encaixe dos corpos
Aperto forte na minha cintura. Aperto muito forte...
Mordida no meu pescoço
Respiração ofegante no meu ouvido.

Procuro seus olhos, mas eles já estão nos meus
Sua boca morde meu pescoço
Como um vampiro que não suga sangue
Que injeta prazer, que me consome.

A paixão nada tem a ver com amor, eu sei
Já aprendi a distinguir...
Paixão é querer consumir o outro
Trazer pra si...
Você me consome
me aperta pra ti
Como se quisesse e desejasse que entrasse em tuas vísceras.

Suor se mistura
Bafo, abraços
 Gemidos

Baixinho..............

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Sobre mim, sobre eu, sobre seu sexo, sobre meu sexo, sobre qualquer coisa...

    
    Este não é um texto sobre você. É sobre mim (“é sobre eu” pensou o chato: foda-se o português correto quero colocar SOBRE MIM). Apesar de já começar assim, tenho a certeza que você pensará que é realmente sobre você. É um desabafo, um devaneio...

         Esse texto é sobre o meu corpo, sobre a minha liberdade, sobre os meus pensamentos, sobre o meu sexo, sobre o seu sexo... Esse texto é um desabafo ao seu sexo que é realmente gostoso, seu sexo é nobre e fugaz. Minha fuga, meu retiro da realidade, talvez minha salvação, talvez o meu grande erro, talvez até o SEU grande erro... Ninguém sabe nada sobre nós, nem nós mesmos.

          Mas só vou te contar um segredo: Eu te quero. Eu não te quero.

         Eu te quero para ter seu beijo na minha alma, sua língua na minha boca, sua pele na minha pele, seu gosto no meu corpo, meu gosto no seu cheiro, essa mistura que ninguém sabe onde começa e termina, essa voracidade de corpos, de suor, de paixão, de mordidas, apertos e arranhões.

         Eu não te quero para me fazer chorar, não te quero para amar, eu não te quero para ter um filho, eu não te quero para formar uma família.

         Só você me interessa, só teu sexo me interessa.

Mentira.

        Sou louca e na minha loucura te desejo infinitamente, de todas as formas...

Mentira.

      Sou movida pela razão, blindada para não amar mais ninguém, nem você que tanto gosto, nem você que tanto penso, nem você que tanto poderia amar... Nem você.

       Não interessa qual das dubiedades é a certa. O que está em foco sou eu e não você. Mas esse eu é você. Não pense na figura da escritora te dizendo isso. Todas as palavras que você leu, saíram da sua boca e é você pensando em mim.

      Eu não te quero.

Mentira

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O velho do ovo grande


Era domingo, três horas da tarde. Queria muito fazer um bolo (sim, eu faço bolo!), o mercado do bairro já estava fechado e a única alternativa era recorrer a uma vendinha que tem aqui na ladeira onde moro, de um senhor, bem senhor mesmo, velho, pra ser mais direta.

Nesse dia fui sozinha e cheguei lá perguntando se tinha ovo. O velho, muito feliz com minha pergunta, levanta de sua cadeirinha, nos movimentos de uma pessoa velha e já vai recitando palavras que não dão para entender muito bem... Aproximo-me dos ovos expostos no balcão da vendinha e começo a entender suas palavras, ele fala dos seus ovos, em como são grandes e nenhuma outra pessoa tem ovos grandes como os dele. Olha gente... É um discurso bem estranho e dá uma vontade de rir imensa. Sai de lá com a impressão que o velho é um tremendo de um safadão mesmo, que essa história do ovo é uma espécie de autoafirmação e tudo mais...

Um bom tempo depois, já sabendo das histórias, meu (agora ex... retificando) namorado prontificou-se em ir a tal vendinha, pois queríamos comer pão com ovo (adoro pão com ovo!). A verdade é que também queríamos averiguar se a história do “meus ovos grandes” iria se repetir com um barbado de 1,90 cm de altura e cara de poucos amigos... Ele voltou rindo, com os ovos grandes do velho na mão. Sim, o velho repetiu a história dos seus ovos grandes e como ninguém tem ovos tão grandes como os dele. Rimos bastante da história, mas ainda faltava um dia ir os dois juntos.
Tempos depois, ele (meu ex) precisava comprar cigarro. Fomos à vendinha, os dois juntos. Eu, lógico, aproveitei e comprei meia dúzia de ovos só para ver o que ele diria com os dois juntos. E sabe o que ele falou? Falou assim:

- Meus ovos são grandes! Só vendo ovos grandes, aqui na redondeza ninguém tem ovos tão grandes como os meus.

Segurei o riso. Estava ficando vermelha de tanto segurar o riso. Ele (meu ex) já ria, discretamente, acendendo o cigarro. Concluímos que se tratava mesmo de autoafirmação com seus ovos, um pouco do esquecimento da velhice e que seus ovos são realmente grandes.

Agora, aqui em casa, toda vez que precisamos ir à vendinha usamos o termo: “Vou lá no velho do ovo!” E toda vez que se compra ovos com ele já sabemos o quanto são grandes e que ninguém da redondeza tem ovos tão grandes quanto os dele.
O velho do ovo.

Lacrou!