domingo, 20 de julho de 2014

#Somostodasputas



   Perdeu a virgindade é puta! Fica com alguém é puta! Coloca um vestido curto é puta! Sai sozinha é puta! É mulher é puta! É gay é puta! É homem é filho da puta! Respira é puta! É puta é puta! Vou fugir para onde? #Partiu lançar hashtag #somostodasputas por que levar a fama sem ir (não só literalmente!) para a cama tá foda sociedade!

   Estava outro dia aqui pensando nessa questão do “emputamento” (acabei de inventar isso!) das mulheres do mundo. Somos putas querendo ou não! A dúvida é se isso é bom ou ruim. Bom por que, se “puta” é um neologismo para liberdade feminina, que transgride esses valores impossíveis de se alcançar, de perfeição (se é que existe alguém que alcançou), considero até muito bom. Conseguimos todos, não só mulheres, incomodar aqueles que idealizam e padronizam o feminino. Ruim por que a maioria não entende o quão bom quebrar essa regra pode ser! Acha que se desvaloriza a mulher quando se foge das adjetivações da moral e bons costumes e acaba por ficar no mesmo lugar, de valores e sexismos. Pergunto: Que valores são esses? Vou responder o que penso, mas minha intenção é fazer você pensar. Os valores são os de sempre! Da moral e bons costumes, que encaminhou sua bisavó, sua avó, sua mãe e agora você impõe a seus filhos.  Criamos nossas filhas para serem independentes e nossos filhos para casarem e namorarem a mulher que nossas bisavós foram... Esse é o conflito.

   Acho triste, em pleno 2014 ter que tocar no assunto homens e mulheres, feminino e masculino, quando na verdade, acredito que isso acaba segregando mais do que agregando. Quando a gente fala do direito de cada um, acabamos afirmando a diferença, eu prefiro falar na igualdade de todos, mas fico lendo e observando cada coisa cabeluda, não só sobre essa questão do sexismo, como outras questões.

   Quem sou eu para condenar alguém ou alguma coisa, fui criada na mesma sociedade que você. Agimos, por vezes, sem saber que estamos como o modelo determina. Uma moral invisível que já foi um dia, na história da humanidade, necessária, porém hoje vejo só como um ótimo dispositivo de controle da massa, sedenta por liderança, seja ela qual for.

Peguei pesado? Vish! Sabe de nada! Um dia alguém já foi, é ou será uma puta. Mesmo que abomine a ideia. Pensa na mãe do juiz. Essa sofre!


#somostodosputas todos!

Um comentário:

Jaime Guimarães disse...

Realmente, Fabi... lamentáveis os rótulos que ainda tentam impor em pleno 2014, século XXI. :(