sábado, 1 de setembro de 2012

Vandinha - Terceira parte - Final




Vandinha abre os olhos... Dormiu no chão da sala, jogada como uma moradora de rua... Aliás, sua casa andava no estado de arrumação que parecia muito com ela naquele momento, havia sapatos espalhados, roupas e copos vazios... Vandinha fica parada, passa os olhos pela sua sala, pensa como anda desleixada, mas não consegue levantar e arrumar, pensa como a casa reflete nossa vida e percebe que sua cabeça anda bem perturbada e bagunçada.

Levanta-se, olha para a porta, relapsos de memória vem a tona, lembra-se de alguém esmurrando a porta, mandando abrir, faz um esforço para colocar tudo em ordem na sua cabeça e conforme vai arrumando a sala, tirando e colocando coisas no lugar, limpando e se movimentando, seus pensamentos agem da mesma forma. Vandinha começa ter certeza que sua consciência quer colocar alguma coisa para fora, mas ainda não sabe o que.

Era domingo, Vandinha abre a janela,  e um maravilhoso sol de inverno entra pela sua casa e atravessava sua alma, sabe que o melhor é sair um pouco de casa, mas ao invés disso recolhe-se nas suas angústias e pensamentos confusos. Vandinha precisa de ajuda, mas quem precisa desse tipo de ajuda nunca admite a si mesmo, nesse caso, ela admitia, o que denunciava o quão seu estado era deplorável. Vanda liga para Marcela e pede socorro que prontamente vai a seu encontro.
Marcela chega à casa de Vandinha e a vê como uma louca, agachada no canto da parede, cabelos desgrenhados, olhar perdido... Marcela diz:
-Vamos Vandinha, vou te levar no hospital, você não está bem amiga.
-Marcela, você acha que estou louca?
Diz Vanda, com voz doce e calma. Marcela olha para ela por alguns segundos enquanto tenta caminhar com até a porta e responde:
-Acho que você está precisando de ajuda. Um tipo de ajuda que eu não posso dar...
Entram no elevador, abraçadas e em silêncio, a voz de Vandinha quebra o silêncio:
- Marcela, você não é só minha amiga, você é uma irmã, minha família, meu tudo.  Quero te agradecer, mas palavras não serão suficientes...
Saem do elevador e Marcela diz:
-Vamos, Mathias está lá fora, no carro, para levar a gente.

Vandinha para. Arregala mais seus olhos azuis, ficam perturbadores e fita Marcela. Suas mãos tremem... A verdade começa a vir à tona em sua mente confusa. Vandinha olha para fora e vê o homem da noite passada e retrasada. Seu coração dispara, era o mesmo homem, o marido da sua melhor amiga. E Vandinha lembra tudo... Era ela, ela mesma, Vanda, amante do marido de sua melhor amiga, a verdade que dói na sua alma, em uma de suas almas, era como se duas almas habitassem um mesmo corpo. Vandinha grita um grito de terror, que ecoa na portaria do prédio, Marcela atônita, não sabe o que fazer... Diz:
- Calma Vanda, o que foi?

Vandinha sai correndo pela rua, seu vestido branco balança ao vento da loucura, olha, mas não vê direção, quer libertar sua  alma, seu corpo e sua mente. Atravessa a rua e é atropelada por um carro que a joga longe. Vandinha consegue libertar sua alma do corpo que tanto a fez sofrer.

Marcela corre, Mathias corre, todos em volta de Vanda que morta no chão esboça um leve sorriso no rosto, Mathias desesperado, agarra-se ao corpo de Vanda e grita:

-Meu amor!!! Meu amor!!! Meu amor!!!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Vandinha - Segunda parte


Marcela entra, a porta estava aberta e o interfone tocou sem ninguém atender por muito tempo, o porteiro já conhecia a melhor amiga de Vandinha e a deixou subir. Marcela tinha o ar preocupado, suas grossas sobrancelhas delineadas quase se juntavam de tanta expressão, trajava uma roupa branca e andava pelo apartamento procurando responder algumas dúvidas... Viu o copo e a garrafa de Uísque vazia em um canto do sofá, no banheiro achou os remédios controlados. Marcela respirou profundamente, precisava tomar alguma atitude, para proteger sua amiga.

Marcela sentou na cama, Vandinha dormia profundamente, Marcela diz com voz doce:
- Vandinha... Vandinha... Já é meio dia... Você não vai acordar não?

Vandinha abre os olhos azuis mareados por uma ressaca, vê Marcela com aquele ar que ela já conhecia, teve vontade de virar-se e voltar a dormir, mas o enjôo e o mal estar não deixaram, teve que escutar o sermão de sua preocupada amiga:

- Porra Vandinha! Você voltou a beber! E pior, você ainda ta tomando aqueles remédios... O que houve? Você só fica nessa merda de apartamento, trancafiada. Hora de voltar aos tratamentos Vanda.
-Marcela, to bem... Hoje é sábado? Cassete! Quase pensei que tinha que trabalhar...
Vandinha procura os óculos. Acha-os e coloca de forma preguiçosa, faz cara de não estar bem e tentar levantar-se sentando na cama... Marcela diz:
- Você está bem? Vamos, vou te ajudar...
Marcela ajuda à amiga se levantar, leva-a até o banheiro e ajuda a tirar a roupa, trajava um pijama com estampas de ursinho e pantufa de bichinho, era um estado deplorável, parecia mais uma idosa abandonada do que uma jovem de 25 anos, Marcela liga o chuveiro... Diz:
-Vandinha, vou fazer um café...
-Tá...

Marcela sai, Vandinha corre para a porta e tranca-se... Olha-se no espelho, tira os óculos e vê o reflexo de alguém que não conhece, coloca os óculos de volta a fim de tentar se reconhecer, mas em vão... Aquela sensação ia além do espelho, estava na alma. Continua a olhar suas carnes brancas, os seios, a barriga e acha-se horrorosa. Vandinha chora, tem raiva de si, medo... Lembra-se do abuso... O abuso que sofreu quando era uma criança inocente, a confusão de sentidos, o confiar em alguém que se aproveita disso... Chora mais, soluçante, anda para trás e escorrega pela parede em posição fetal. Sua cabeça zunia e não tinha certeza se o que pensava era realidade ou imaginação... Será que ela esteve mesmo com um homem noite passada? Ou tudo não passava de fruto da sua imaginação? Vandinha não sabia...
Marcela bate na porta.
-Vanda? Já acabou...

Vandinha volta para a realidade, olha para o chuveiro aberto, entra na água e toma um banho, como se estivesse lavando a alma...


O sábado correu de maneira estranha. Incomodava Vandinha o fato de o homem que a obrigou fazer sexo estaria esperando hoje por ela no mesmo lugar. Incomodava mais pelo fato de ela estar pensando nisso, e se pensava, cogitava a possibilidade... Coçava-se, respirava fundo, os tiques nervosos começaram... Olhou a porta, não podia ficar em casa pensando e remoendo toda aquela explosão de sentimentos, Vandinha sabia que estava em uma crise psicológica, mas era mais forte que ela, tomou alguns de seus comprimidos, precisava se acalmar... Pegou a chave e saiu do apartamento, precisava beber alguma coisa, espairecer. Aquela agonia a consumia...   
                                                       *
A garrafa de Uísque na mão, embalada por uma sacola da loja de importações... Vandinha sentia-se derrotada, mas precisava chegar em casa para beber aquela garrafa. Gostava da solidão e queria beber sozinha aquela garrafa, ver um filme daqueles que passam na frente dos olhos e já são esquecidos imediatamente...  Saber que alguém a esperava, por mais que fosse naquela terrível situação, a instigava, mexia com seu coração perturbado. Precisava beber, beber e esquecer aquilo, aquela vontade absurda!

Vandinha para na entrada da rua escura a qual o homem misterioso estaria esperando. Olhou a outra opção de caminho, sabia que existia outro caminho, um pouco mais longo, porém naquele momento pensar em distancia era bobagem. Não, Vandinha não estava pensando em distancia, pensava em tudo naquele momento, menos na distância do caminho até sua casa.

Caminha na rua que caminhou ontem... O coração bate forte, uma mistura de medo e excitação, adrenalina, tudo misturado. Sentiu vontade de fazer xixi... Pensou alto:
-Droga! Não dei nem uma bitoquinha nessa merda de Uísque! 

Avistou o homem encostado no carro fumando um cigarro. Ela parou, ficou paralisada por alguns segundos... Na verdade Vandinha não sabe quanto tempo ficou paralisada, quando se deu conta o homem já se aproximava. Saiu correndo pelo caminho mais longo, o grito prendeu na garganta, como em um pesadelo sufocante, mas as pernas... As pernas correram mais que as batidas do seu coração. Ouvia o homem gritar atrás:
-VANDINHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Vandinha agoniza no portão do seu prédio, o porteiro abre a porta e ela passa correndo, escuta algumas palavras do porteiro, mas não entende ao certo o que ele disse...

No seu apartamento entra, tranca a porta, muito ofegante, corre para o móvel que tem na sala o qual chama de “barzinho”, abre nervosamente a garrafa de Uísque, bebe, a mão treme, o interfone toca. Vandinha atende o interfone, tremula:
-Sim
-Dona Vandinha, o Seu Mathias, ta aqui na portaria...
Vandinha treme.  Mathias... Quem porra era Mathias? Vandinha corre para ver na sua TV as câmeras de segurança e vê na portaria o homem do carro... Sua mente confunde as coisas... Vanda quase desmaia, volta para o interfone, diz para o porteiro:
-Seu Jonas, manda esse cara embora! Senão... Senão...Vou chamar a polícia!!!
Vanda desliza o interfone pelo seu rosto. Pode escutar Seu Jonas dizer:
-Acho que ela ta “naquele” estado...

Não coloca o interfone no gancho, agacha-se e fica ali na cozinha inerte...

Continua... Última parte.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Vandinha


Seu nome era Vanda. Mais conhecida por familiares e os poucos amigos como Vandinha. Uma mulher comum, nem bonita, nem feia, nem alta, nem baixa, nem magra, nem gorda. Míope. Os enormes olhos azuis eram escondidos pela pesada lente que usava e o cabelo sempre preso, desgrenhado, não se sabe ao certo se bonito, feio ou apenas maltratado pela falta de vaidade que dominava aquele corpo, só se sabe que eram escuros, meio caminho entre o castanho e o preto. Não se vestia mal... Aprendeu com o tempo a se vestir “mais ou menos” bem, dentro do seu estilo para lá de casual e nada sexy. Vandinha não era uma mulher sexy. E sabia disso, não conseguia ser sexy, nunca. Nem quando perdeu a virgindade com um “doido” que dizia ver nela uma devassa reprimida, Vandinha achava muita graça disso, ela uma devassa! Imagina? Mal gemia quando transava com o ex...
Mas Vandinha admirava as mulheres sexys, seguras e que sabem se fazer bonitas, mesmo quando não são. Queria muito ser uma delas, mas não conseguia, travava. Abaixava a cabeça e seguia em frente. Preferia calçola à calcinha, calça ao invés de vestido, um livro ao invés da “night”, mas de uma coisa Vandinha tinha certeza e convicção: Gostava de HOMEM, com certeza absoluta, mas não tinha idéia de como se aproximar deles... Desconfiava que tudo isso era por causa da sua infância difícil e dos problemas que teve.

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Era solitário o caminho diário de Vandinha, voltava sempre do trabalho a mesma hora, ia ao mercado há mesma hora e todos os dias sempre iguais. Isso a deprimia, mas não tinha escolha, essa era sua vida, trabalhar como secretária de um empresário linha dura, em uma empresa capitalista e rígida. Acordar a mesma hora, fazer tudo sempre igual, chegar em casa e nada diferente acontecer, alguns finais de semana sua amiga Marcela aparecia para conversarem, mas os encontros cada vez menos freqüentes depois que Marcela casou... Às vezes para desestressar Vandinha bebia sua solitária taça de vinho, se masturbava, imaginava mil histórias, mil fantasias, se divertia sozinha mesmo. Mas sentia um vazio depois da sensação boa que passava. Cada vez mais Vandinha se retraia e vivia seu mundinho de fantasias e fortes emoções. Por mais que soubesse que isso não era bom, não conseguia se livrar desse ciclo vicioso, desse sistema que a sociedade vive e que ela havia caído e não conseguia se levantar: A solidão no meio da multidão.

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Já passava de 21 horas... Vandinha voltava do Mercadinho, no mesmo trajeto de sempre, pela rua entre os condomínios, escura e naquele dia estava mais escura ainda, parecia que dois postes estavam quebrados, não sabia ao certo. Apertou o passo em direção a sua casa, sentiu uma presença por trás dela e quando ia virar-se, subitamente alguém colocou a mão na sua boca, a agarrou e disse no seu ouvido, um sussurro aterrorizante:
- Quieta! Sou mais forte que você, não adianta se debater, nem gritar.
Vandinha não entendeu muito bem... O susto, o medo, eram mais fortes, se debateu e tentou gritar, pensou que iria desmaiar. O homem a colocou em um carro, estacionado na parte mais escura da rua.
Vandinha chorava e tremia. O homem senta-se ao lado dela e diz ainda sussurrante:
- Não vou te machucar... Mas quero que você fique quietinha. Tira a roupa.
Vandinha treme. O homem alisa seus cabelos e solta o rabo de cavalo, beija seu pescoço, tira seus óculos.
-Não tenho pressa.
Empurrou Vandinha de leve, deitando-a no banco de trás do carro. Continuou lambendo e beijando seu pescoço, levantou sua blusa, passou a mão nos seus seios, lambeu e chupou seus bicos rosados com muita calma. Vanda continuava nervosa, mas a calma do tal homem acabou a fazendo relaxar e ficou quieta, sem se tremer... Não era ruim, estava gostoso, mas o pensamento de que aquele homem poderia matá-la a qualquer momento, não saia da sua cabeça, pensava: Deve ser um psicopata, maníaco, maluco...
O homem abaixou a calça jeans dela, colocou a mão entre suas pernas e continuou a chupar e lamber seus seios. Vandinha sentia repugnância, mas estava excitada ao mesmo tempo, estava confusa, queria se entregar, gemer, falar que estava gostoso, mas estava bloqueada... O homem desce até sua calcinha molhada e enfia a língua com muita vontade. Ela geme baixo, o homem chupa e lambe cada vez mais rápido, ele também está excitado em ver Vandinha gostando... Vandinha geme alto, molha-se mais.
- Vou colocar uma camisinha e enfiar em você... Olha como estou.
Mostra seu membro, duro, firme, grosso. Vandinha ergue-se da posição em que estava e retribui abocanhando o tal homem. Aquela era uma Vandinha que ninguém conhecia, nem ela própria. Transaram ali por horas...

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Vandinha não disse uma palavra sequer. O homem disse:
- Sei tudo sobre você Vanda, mas você sequer me olhou, nunca. Quero você de novo. Vou estar aqui, amanhã nesse mesmo horário. Não te agarrarei a força, nunca mais... Se você quiser, vai entrar no meu carro, por querer...
Vandinha, ainda sentia um misto de raiva, nojo e todos os sentimentos repuguinantes juntos. Sua maior raiva era que no fundo ela gostou do homem que a obrigou a transar com ele. Queria matar aquele filho da puta! Mas também queria mais sexo com ele... Que metido! Achava mesmo que ela iria passar amanhã pra ser agarrada de novo pelo safado, filho da puta?
Vandinha reparou no homem, era alto, moreno, não era muito bonito, os dentes eram bem cuidados e o álito era bom, os olhos profundos e o cabelo bem cortado, Vandinha era péssima com marcas de carro, mas sabia que aquele era um carro caro...”Por que será que um homem desses me agarrou a força? Como ele sabia seu nome?”  Vandinha estava confusa, mas continuava calada, sem perguntas e sem respostas.
Ela fechou a cara e seguiu seu caminho em direção a sua solitária residência. Só que Vandinha dessa vez estava diferente dos outros iguais dias...

Continua na próxima postagem... 

domingo, 10 de junho de 2012

Os anais




Lá vou eu de novo tocar nesse assunto de C*. Só que o sinônimo aqui usado, forma mais formal e “médica” de falar sobre o “famoso” é na verdade outra coisa...

Então... Lá estava eu tentando abrir um CD,que foi dado pela professora da faculdade, para fazer um trabalho sobre o conteúdo desse TALZINHO. E quem disse que eu consegui abrir o dito cujo? Estava faltando um programa no meu computador que não abria nem a KCT o arquivo PDF!!! Desesperada em abrir o CD me dirigi a uma LanHouse, em que sou bastante conhecida e pedi ao dono que jogasse o cd em rede, já que os computadores de lá, muito moderninhos, só tem entradas para pendrives, só o computador master poderia finalmente fazer a leitura do redondinho (calma!)... Muito “solicito”, o dono da Lan, de apelido OGRO, pegou meu cd, fez cara de garanhão dos contos de fada e fez o que pedi. 

Dei as costas e me dirigi a um computador, perguntando:
-Já jogou em rede Claudio? (sou uma moça educada e não fico por ai chamando os outros de OGRO).
Ele, muito sacana, diz em voz alta, com um sorrisinho de canto de boca:
-Joguei... O nome do arquivo é A-N-A-I-S!!!
Três segundos de total silêncio, todos, eu disse TODOS, que lá estavam jogando aquelas porrinhas ON LINE, viraram a cabeça para me olhar, a maioria adolescentes e alguns burros velhos viciados em jogos. Deviam estar pensando: “Ela vai abrir os ANAIS...”
Eu virei uma estátua por alguns segundos, mas acho que pensei mais rápido que a sensação de séculos ali parada e respondi com um sorrisinho sem graça (dedinho em riste):
-Anais da PSICOLOGIA!!! 

As cabeças que estavam viradas em minha direção, rapidamente voltaram a seus joguinhos de tirinhos e blá, blá, blás... O OGRO continuou me olhando com o mesmo sorrisinho irritante e eu dei as costas de novo, tranquilamente, abri meus anais ali expostos em rede. Era uma série de resumos de um congresso da PUTA QUE PARIU! E não sei que cargas d’água a professora de PROCESSOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL (Psicologia) me colocou esse nome no arquivo (culpa do Sr. Freud e suas fases). Resumindo: fiquei lá um tempão com os ANAIS aberto, para em, uma tentativa humana (o ser humano e sua necessidade de “mostrar” aos outros que é NORMAL, igual a todo mundo), mostrar aos outros que, os anais maliciosos das mentes presentes, eram na verdade um trabalho de faculdade. Mas QUEM SE IMPORTA? Só na minha cabeça...

Putz...Quanta besteira! Volto mais séria... Juro! (Sic) Se é que consigo...

terça-feira, 22 de maio de 2012

O caos, o ovo frito e o cara do gás.


Oi povo! Não, eu não morri... Não dessa vez. Mas passando por momento difícil, não gostaria de usar meu blog para desabafar, logo esse humilde blog que tanto nos fez rir. Então, abri uma brecha na minha vida para te fazer rir. Sim você mesmo! Você ai, sentadão (sentadona), perdendo seu tempo com minhas tosqueiras. Mas eu sei que você gosta, então lá vai...

Eu contei o dia que minha casa inundou?  SIM caros três leitores, minha casa inundou, e olha, moro no terceiro andar! (??????) Foi assim: Minha filha, linda, loira, feliz, pentelha e atentada, inventou de pegar a bolinha do cachorro, em um belo dia de brincadeiras no terraço, e jogar no cano de escoamento(sem eu saber). Cano de escoamento para quem ainda não ligou o nome a coisa, é justamente o cano que ESCOA água da chuva ou qualquer outra água que encher o terraço. Se ligou? Não... Minha filha jogou uma bolinha de borracha, pertencente ao Shiryu no cano que é como uma veia principal de escoamento de água. Ou seja, quando caiu aquele toró do caralho, euzinha sem saber o motivo, razão e circunstância, vi a casa INUNDANDO de tal forma que parecia uma piscina interna... Dá para imaginar meu desespero? Não sabia o que fazia! E cadê o rodo? (RODO, AQUILO QUE PUXA A ÁGUA, IGUAL VASSOURA SABE?) Eu estava FUDIDA e mau paga!!! Para piorar minha situação meu padrasto maluco entrou em crise e não queria largar a ÚNICA vassoura da casa, meu instrumento para lidar com o problema, começou a falar coisa com coisa, no meio da água quis fritar UM OVO para Bárbara (minha filha)e disse que no quartel foi preparado para isso(???). Minha filha começou a chorar o cachorro a latir e acreditem amigos leitores, foi desesperante! (Silêncio para sentir o drama). Peço encarecidamente para que leia de novo, esse mesmo parágrafo, em ritmo frenético, pois talvez, repito talvez, você ai, na calmaria da internet sinta o que eu senti.


Indo do caos para o “drama” eu gostaria de saber por que as coisas acabam quando mais se precisam delas e quando mais é difícil comprá-las para repor. Sabe? Tipo o gás da minha casa que é botijão.  O gás da minha casa parece ter vontade própria, ele só acaba aos domingos na hora do almoço, em vésperas de grandes feriados ou quando é fim de mês e está todo mundo mais duro que pau de tarado. Ele tem tanta vontade própria que quase escuto uma risadinha sádica de: Te fodi! Foda-se! RARARARARA!!!  Então... Nesse último feriadão, que segunda-feira foi feriado no Rio de Janeiro, graças ao JORGE BABU, odiado pelos evangélicos, que conseguiu decretar feriado no dia de São Jorge, quem resolveu acabar na minha casa? Isso! O GÁS safado! No meio do ritmo quente que estava o fogão da minha mãe, com comidas mirabolantes e cheiro bom. Por sorte tínhamos uma reserva de dinheiro, um telefone de gás 24 horas que funciona inclusive aos feriados, dias santos, morte de tios, padrinhos e avós, resumindo se bobear abre até no dia 25 de dezembro e chama-se por ironia “Gás legal”.  Ligamos e para nossa sorte e azar de quem estava trabalhando, conseguimos pedir o tal. Esse gás é o mesmo que da outra vez, veio aqui em casa, uma cara tipo modelo, todo trabalhado no músculo, nas grandezas e “fortezas”, amigas chegadas vocês já devem ter ouvido essa mesma história contada ao vivo por mim e o tal pensamento safadinho: “Me chama de botijão, me carrega nas costas que eu te chamo de meu amor...” Então... Dessa vez esperando o tal bonitão fortão, me empiriquitei toda (empiriquitei: o mesmo que,  me arrumei, passei um lápis, um perfuminho, uma roupinha menos dona de casa) e fiquei lá, a espera do “Zulu” do gás.
Gente, não faz cara feia! Não me recrimine! Não quero casar com o cara do gás, nem ter dez filhos com ele, apenas admirar a obra de Deus (KKKKKKKKKKK!!!) E “vamô” combinar, os entregadores daqui onde moro vão de mal a pior, isso quando não é igual ao da farmácia, que usa cabelo Chanel e unha de porcelana, pintada na cor berinjela.
Voltando ao cara do gás, to eu lá esperando, já com a gorjeta na mão, imaginando um momento trash de dancinha, dinheirinho na cueca... A campainha toca, eu me preparo, encolho a barriga e... Pow, cara! Foi um tiozinho lá , um barrigudinho, com bigodinho a La Leôncio... Momento silêncio... Sentiu o drama? Dei gargalhadas com minha fértil mente imaginando o tiozinho fazendo a tal dancinha e pedindo dinheiro na cueca. Não, melhor pensar outra coisa! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!


Olha, abril foi um mês do KCT, sabe? Tudo aconteceu comigo e parece que ele ficou enorme, sei lá, demorou a acabar. Mas GRAÇAS,  maio já está ai e essa zica que fique pelo mês de abril.


Prometo voltar logo! Fui...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Deixa... É carnaval!!!


O que? Acabou o carnaval há muito tempo? Eu sei né! Sai a Globeleza com sua irritante perfeição corporal e entra os coelhos amestrados da páscoa, nossa vida tão controlada por puro marketing... Mas deixa, não é sobre isso que quero comentar no blog, quero falar de alegria, sobre a época do ano que tanto mexe com o comportamento e andamento da vida das pessoas: O CARNAVAL, amado por uns, odiado por outros...
“Deixa... É carnaval!” Sabe quantas vezes ouvi isso durante o período carnavalesco? Muitas vezes! E de diversas pessoas, em lugares, classes e blocos diferentes. Por que ouvia isso? Sabe aquelas situações que só vemos no carnaval? A gordinha que mostra tudo e mais um pouco, o rapaz que SE SOLTA, a velhinha que esquece a idade... Essas coisas que só o carnaval proporciona. E quando alguma alma mais conservadora solta aquela critica, a alma carnavalesca fala com ar blasé: - Deixa... É carnaval!
                                                                                                                            
Eu sou uma alma carnavalesca. ADORO carnaval! Nasci no carnaval, conta minha mãe que o povo pulava carnaval e eu pulava na barriga dela querendo desesperadamente “sair”...  É a única festa do ano que eu curto, não curto festas de páscoa, junina, hallowing, natal, nem ano novo, eu curto carnaval PORRA, me dá licença? Não há período mais divertido! As pessoas são muito criativas, um espírito de carnaval permanece no ar. Em que período do ano se vê marmanjos sarados e fortões com enormes fraldas? Quando se vê Super Mários, Luidis, Smorfs, super mans, mulheres maravilhas, Avatares, MMs coloridos e alegres, até a mulher(homem, sim homem fantasiado) do filme Flash Dance apareceu pelo Boitatá?! E eu que achava ser a única criatura do carnaval, com a incrível idéia de me fantasiar de Slash, encontro outras tantas criaturas criativas com a mesmíssima idéia que eu. Deixa... É carnaval!!!

Meu carnaval também foi de pérolas. Umas coisas que o povo diz que, também, fora dessa época soariam muito estranhas, mas a gente se diverte! O cara negro, baixinho, barrigudinho, com uma bermuda vermelha e gorro de mesma cor, logo gritaram (meus amigos): O SACI! O SACI! SACI!
O cara responde: Tá vendo como vocês são preconceituosos! Eu sou o papai Noel...
Alguns segundos de silêncio... Eu falo: E esse cachimbo ai? Papai Noel não fuma cachimbo...
Rimos e até tiramos uma foto com o figura, que encontrei no dia seguinte em plena Lapa, com fralda e chupeta,  dizendo ele que NO SPEAk PORTUGUESE, SOY GRINGO... GRINGO! NO STAIS VENDO. Apontando para a pele. Que figura, viu?

Na Lapa também encontrei o Chaves negro, que “carcou” atrás do meu amigo Marcio e até me assustou. Mas logo vimos que se tratava de um menino “alegre e descontraído” (sic) com a fantasia do Chaves, até as pintinhas com lápis preto ele fez, mas só dava para perceber com muita observação, diga-se de passagem. O divertido Chaves Negro disse que foi ACAPULCO que fez isso com ele, acabou se bronzeando demais. Minha filha olhava com muito medo e o pobre rapaz alegre sumiu, no meio do bloco, dizendo estar assustando criancinhas... Eu ri.

Carol, minha amiga, se fantasiou de abelha, e lógico, ouviu diversas piadinhas, das mais diversas possíveis, até uma cantada inusitada, a qual ainda não conseguiu traduzir direito, que dizia assim:
- Zzzzzz, zzzzzzz...
O marido dela que não gostou muito disso. Hehehe!!! Deixa... É carnaval!!!

Conta minha mãe que ao passear em Copacabana presenciou o bloco do PERU SADIO (Kkkkkkkk!!!) e que nesse bloco havia um velhinho, bem velhinho, com a sonda pendurada e a enfermeira atrás, afinal, nunca é tarde para sair no bloco do Peru sadio, mesmo quando o peru já não é mais sadio há anos...

O que eu queria ressaltar, que essa leveza e descontração do carnaval, poderia se estender pelo ano todo. O Centro da cidade do Rio de janeiro, com sisudos homens engravatados por todo ano, poderia ser mais leve, as mulheres nunca perderem o espírito da mulher maravilha que habita dentro delas e as senhoras manterem o ar jovial do carnaval, deixar a sisudez para as horas certas, afinal o povo anda trocando “as bolas” e comemorando quando o momento é de reflexão e refletindo quando o momento é de comemoração. Mas é difícil, né? Eu sei...  Também não sou tapada, muitos problemas ocorreram no carnaval, mas pelo menos aqui no Rio de Janeiro, pela quantidade de pessoas que havia nas ruas, os problemas ocorridos já são os esperados... O que me irritou foi os poucos banheiros químicos e a diferença social mesmo no Carnaval. Os blocos da Zona Sul passavam e imediatamente a Comlurb limpava a sujeira. Hoje dia 29/02 ao lado da escola da minha filha, no centro do Rio, ainda há sujeira do carnaval, impressionante!
Por isso eu digo NÃO HÁ ÉPOCA DO ANO COMO O CARNAVAL!!! Até o ano que vem carnaval!!!

Sobre aniversário, desabafos e devaneios...


Estava sentada no sofá, olhando o computador... Pensava: “Puta que pariu! Preciso escrever alguma coisa!”. Levanto, vou ao espelho do banheiro e me olho no espelho. Percebo que minha pele envelheceu, os anos passaram e que tenho MUITA estória para contar, hoje faço 31 anos, minha pele não é mais a mesma, o frescor não é o mesmo, não vejo mais inocência, inexperiência, nada mais dos dez anos passados. O tempo é cruel com a aparência, porém fundamental para a formação do item mais importante no ser humano: O caráter. Hoje sou quem sou graças ao passar dos anos, não vejo mais inocência, porém vejo uma mulher segura e madura suficientemente para vir aqui e despejar tudo isso.

Então, continuando com meus vários “puta que pariu preciso escrever algo”, resolvi escrever sem critério, sem muita preocupação com erros ou acertos. Vou escrever e foda-se, hoje é dia 12/02/2012, meu aniversario (não sei se postarei esse texto no exato dia) e não estou muito a fim de seguir padrões na minha vida, o que dirá no meu blog, no dia do meu aniversário...

Tomei umas decisões bem interessantes esses últimos tempos, umas bem úteis, outras bem fúteis, porém de suma importância para essa que vós fala.
Resolvi:
Cagar (calma!) e andar de vez para o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre a minha pessoa (o Word por exemplo, é um escroto! Acaba de me sugerir DEFECAR ao invés de cagar)sobre o que faço, deixo de fazer, sobre meu cabelo, minhas tatuagens, coisa e tal.

Não terei pressa nenhuma em arrumar namorado. Os homens andam estranhos e eu ando muito seleta, alguma coisa não se cruza. Minha vida sem namorado anda com muitas vantagens, como não me preocupar com depilação (Ok, aberta a piadinhas, hehehehe), se minha menstruação atrasar tô nem ai, vou para onde quero, falo com quem quero e não me preocupo com ciúmes. Outra, sem querer ser MAIS do que ninguém, não é todo homem que está preparado para a Srª Desbocada, ser autentica às vezes me custa outras definições, principalmente dos homens, que preferem as “SANTAS” se é que vocês me entendem... Então amigos e amigas, mãe e parentes que me zoam horrores com a atual “encalhadez” parem de me pentelhar o sacoooo! Até por que escutar minha mãe falar que preciso beijar na boca nesse carnaval é dose!!!

Dei um tempo da chapinha, resolvi soltar o jubão, que de tanto ser esticado não se recuperou e não enrola nem mais a cassete. Continuarei tentando, pelo menos em uma tentativa de mudar o visual e em nome das “quebras” de padrão, já que virou padrão TODO MUNDO DE CABELO LISO e bem chapadinho, nada contra, uso e usei várias vezes, é mais pratico, confesso, porém, um exército de cabelos iguais tem me irritado profundamente, adoro e amo a diversidade. Tentando me apartar de tal exército, resolvi naturalizar (nem tanto, já que meu cabelo vermelho , meio, que minha “marca” meus fios. Lógico, como toda mudança, existe critica... Ando escutando que sou louca! Louca? Ser quem é, sem tentar ficar igual a todas as mulheres, Barbies pós modernas, sem gordurinha, sem celulite, sem estrias, TODO MUNDO IGUAL... Nada contra as mulheres de cabelo liso, saradas, oxigenadas e tal, conheço um monte assim, legais e gente fina, só que eu FABIANA serei eu mesmo, sem relaxar, me cuidarei sem neuroses com padrões infundavéis de beleza. Decidi: A perfeição é muito monótona, não quero mais perfeição, chega de chatices na minha vida.

Vou parar por aqui, senão você ai, se teve paciência para chegar até aqui, vai ficar lendo meu manual até amanhã. E eu ainda tenho um aniversário para comemorar... Obrigado quem sempre passa por aqui e também quem ta passando pela primeira vez. Volto com um texto melhor EU JURO!!!

domingo, 22 de janeiro de 2012

A mãe, a filha, o assaltante e Jesus.



Mãe: - Você é uma comunista!
Filha: - Que comunista mãe? Você lá sabe o que é comunismo?
Mãe: - É um bando de vagabundo que não quer nada com trabalho! Gente bagunceira, que só sabe fazer greve!
Filha: - Mãe... Não sou comunista e mesmo que fosse, comunismo, não é nada disso! Nossa, que coisa mais mil novecentos e setenta!  Você fala umas coisas tão retrogradas...
Mãe: - Você fica ai, falando numas coisas, em liberdade, em futuro... Depois que entrou na faculdade, só piorou! Deve ter um monte de comunista lá também! Devem fazer reuniões, planejar badernas... E se o governo descobrir minha filha? Você é mãe! Vai deixar sua filha órfã de mãe?
Filha: - Mãe, a ditadura acabou há décadas... Que papo é esse? (risadas) Que reuniões? Que badernas? Do que você ta falando?
Mãe: - Não sei.  Você anda diferente... Lendo demais, pensando demais, namorando de menos! Quando vai arrumar um namorado? Quanto tempo tem que você se separou?  Isso é falta de namorado! Já pensou nisso? Tá ficando velha e não arruma um namorado! Minha filha você virou sapatão? MEU DEUS! Que vergonha! Que vergonha!
Filha: - Chega! Vamos? Vai ficar tarde e não vamos conseguir comprar o presente da Bárbara...

A filha pega a chave da porta de casa e fecha. Pensa nas coisas que a mãe falou, ri sozinha e para apimentar a discussão, não resiste e fala:
Filha: - Tá vendo? Se vivêssemos em uma sociedade igualitária, não precisaríamos trancar a porta...
Mãe: - Como assim? Tá louca! Entraria alguém ai e roubaria nossas coisas, nosso computador, televisão e tudo de valor que temos...
Filha: - Na sociedade igualitária não! Todos teriam condições de ter e não precisariam roubar! Você acha que alguém gosta de roubar? Há exceções, eu sei, mas a grande maioria faz por que foi levada pela vida, não teve uma boa educação... (A mãe interrompe)
Mãe: - Pronto!Entramos na educação... Você adora essa palavra! Tudo para você se resolve com educação... Ora essa! Educação vem de casa!
Filha: - Sim, também... Mas se, um pai, uma mãe, não teve boa educação, vai passar o que para um filho? Se a escola que uma criança estuda é uma merda, em casa é uma merda, o que vai ser dessa criança?
Mãe: - Hã... Então, se alguém vem te assaltar, armado, te dá um tiro, tira à vida de alguém da sua família, a culpa é do governo?
Filha: - Não diretamente, mas é...
Mãe: - Não vou discutir com você, você vive no mundo da lua, é uma u... U... U...
Filha: - Utópica?  (risos) Não é utopia saber o que cura um mal. Há longo prazo o que cura violência é educação. Mas nenhum governo pensa no longo prazo, só pensa no imediatismo de resultados.

Viram a esquina em direção ao ponto de ônibus, mas por ironia do destino um homem, jovem, vem em direção as duas e anuncia o assalto. Lógico que a primeira coisa que a mãe fez foi lançar aquele olhar para a filha, como quem diz: “Agora quero ver o seu discurso na prática.”
Assaltante: - Perdeu tias! Passa o dinheiro, celular... TUDO!
Mãe: - Olha meu filho, meu celular é esse, do camelô, que custa sessenta reais, dinheiro tem não... Só cartão! Você aceita cartão? Nossa, como você é novinho... Né, não filha?
Assaltante: - Tá de sacanagem tia? Tá pensando que eu to aqui de putaria? Mê dá essas porras ai “mermo”!
Mãe: - Pois é... E essa ai, (aponta para a filha) ainda defendendo esse tipo. Tá vendo? Agora defende! Diz que a culpa é do governo por esse delinqüente juvenil está aqui, apontando uma arma na nossa direção! Quero ver agora!
Assaltante: - Pow tia, esculacha não!!! Tô aqui entendeu? No maior respeito, fazendo meu ganho, pra levar alguma coisa pra garota, que ta lá de barriga, saca?
Mãe: - Meu Deus! Já ta de “barriga”? Filho, você tão novinho? Já fez um filho... Meu Deus! O mundo ta acabando mesmo...
Filha: - É mãe... Ele é novinho... Pergunta para ele cadê os pais dele? Em que condições ele cresceu?
Assaltante: - É tia, a vida foi difícil, ta ligada? Meu pai ta preso, minha mãe doente, não consegue trabalhar, nem se aposentar, num sabe que to nessa vida não... Ela quer que eu trabalhe direitinho, mas eu sou burro! Não consigo ficar na escola, num terminei nem a oitava série! Tô pensando em entrar pro “movimento”, mas ai minha velha vai ficar sabendo... E ainda tem a barriga que arrumei! (Desespero na voz)
Filha: - Burro nada! Você não é burro! Não fala assim de você! Se soubesse o porquê das coisas serem assim, como são, não é culpa sua, nem da sua mãe, nem do seu pai, que também é uma vitima de toda uma história de separação de classes... (a mãe interrompe)
Mãe: - Filho! Procura JESUS! Só Jesus na sua vida!

O assaltante, no meio das duas, virava o rosto, ora, ouvindo a mãe, ora, ouvindo a filha.

Filha: - Mãe, ele tem que entender o que o levou a essa condição...
Mãe: - Entender pra quê? O que isso vai fazer a diferença agora na vida dele? Você tem que procurar Jesus!
Filha: - Procurando Jesus ou não, o que ele realmente tem que fazer é voltar a estudar... Volta a estudar, à noite, termina o segundo grau, abre sua mente para o mundo, entenda o motivo das coisas acontecerem com você, vai achar uma profissão, eduque seu filho que vai nascer. Não te prometo riqueza, mas te garanto dignidade, vai se sentir melhor...
Mãe: - Nossa! Até aqui você quer iludir o menino! Com esse mesmo papo de educação e...
O assaltante ficou no meio das duas, devolveu os celulares e continuou ouvindo sobre educação e Jesus Cristo por mais 20 minutos. Deu até o número do celular dele para as duas que queriam saber do bebê que ia nascer.

Certo tempo depois, “a filha” liga para o assaltante, para saber como andava a vida do rapaz, ele atende:
- Alô.
- Alô, Wenderson?
-Sou eu mesmo. Quem é?
- Fabiana, lembra? Que você quase assaltou?
-Qualé tia! Você ligou mesmo!
-Liguei! E quero saber como anda sua vida?
- Tia, é o seguinte voltei a estudar, á noite, como a senhora me falou, ta difícil, mas eu descobri que não sou tão burro assim. Dá para fazer um esforço... To ajudando um amigo do meu tio, na oficina dele, não to ganhando muito não, mas foi aquilo que a tia disse: Me sinto melhor! Até minha mãe anda orgulhosa de mim...
-Que bom Wenderson! Fico realmente muito feliz!
-Meu moleque nasceu ontem!
-Nasceu? Menino?
- Menino! To indo registrar o moleque agora! Sabe qual vai ser o nome dele tia?
-Qual?
- Jesus da Educação Silva. E que também escutei a senhora sua mãe, procurei Jesus...
- Ok, Wenderson, o que vale é que você mudou!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Será que ele é?



Eram amigos desde sempre... Na verdade muito mais que amigos, eram irmãos, irmãos que a vida escolheu e escolheu muito bem... Quem disser não existir amizade entre um homem e uma mulher não conhece Evandro e Liliane. E apesar das “más línguas” falarem em não passar de uma simples amizade entre uma “sapatão” é um “viado” eles estavam na verdade SE FODENDO para que os outros pensavam sobre os dois e suas escolhas.
A verdade não interessava ninguém, por que as pessoas só querem saber o que estão vendo, da aparência, se fulano ou beltrano se encaixa nos padrões certos da sociedade. E a verdade para quem quisesse ver era apenas uma mulher de mais de trinta anos que não casou e não teve filhos, muito exigente, cabelos curtos, andava de moto e tinha a personalidade forte.  Evandro era o “cara estranho” que também não casou, não teve filhos, cagava e andava se achavam estranho ele usar camisa rosa e cabelo com os vários cortes da moda.
*
Mais uma semana terminando, sexta-feira chega, Evandro liga para Liliane:
-E ai Lili? Algo em vista? Vai sair gostosa?
-Nada... Tô mais encalhada que baleia na praia!
-Kkkkkkkkk!!! Vamos beber? Tô a fim de encher a cara...
-Bora? Também... Semana pesada! Precisando descarregar...

Lá foram os dois amigos para o “point”, o bar do Chico, que tocava uns bons roquezinhos e a cerveja era de bom preço...
A noite rolava como a cerveja descia... A hora passou e não perceberam. Chico já queria fechar o bar e a rotina começava: recolhendo as mesas e cadeiras, passando infinitas vezes o pano na mesa... Coisas que Evandro e Liliane já sabiam e começam a rir pedindo a conta.
Mas naquela noite eles queriam mais, não queriam ir para casa, então Evandro diz para Lili:
- The night is a children!
Liliane ri e os dois saem, terminam com vinho barato na beira do mar, altos papos e confissões...
-Lili, você me acha esquisito? Sabe, tipo: Você como mulher, ficaria com um cara como eu?
-Que pergunta é essa Evandro? Você é um homem maravilhoso! O que aconteceu?
-Ah... Levei uma esnobada sabe? Ouvi um “Você não é meu tipo de homem”.
-Ah, porra! Fala sério! Sabe quantas esnobadas eu já levei na vida? MUITAS! Ué, nem sempre se agrada a todos, não vê o povo achando até que sou lésbica?
-Lili, fala a verdade para mim? Seu amigo... Você nunca...
-Nem termina! Se fosse isso você já saberia... Eu não sei tudo sobre você?
Lili olha com convicção para Evandro que não mostra tanta convicção assim... Lili para de falar. Olha para Evandro com olhos arregalados...
-Evandro... Você...
Evandro ri. Lili continua de boca aberta, com aquela cara de “COMO ASSIM”?
-Lili... Sua cara está ótima!
-Como assim? O que você não me contou?
Evandro ri... O álcool afeta enormemente os dois.
-Lili, você está pensando no que?
-No que você nunca me contou...
-Deve ser por que, o que eu nunca te contei, é muito intimo.
-E você não quer me contar, né? É isso?
- Sim, desculpa...

Os dois se calam. Lógico que o rumo que a conversa tomou fez Lili pensar que Evandro era gay e nunca lhe contou. Isso a chateou muito. Pensava: “Poxa! Logo isso ele nunca me contou? Vergonha disso? Nunca o recriminaria! Será que ele pensou que eu deixaria de ser amiga dele?
Então Lili, já nas verdades alcoólicas que toma o ser humano, faz a pergunta para Evandro:
-Você é gay?
Evandro não responde. Fica visivelmente aborrecido. Levanta e diz:
-Vamos para casa...
Duas semanas se passaram sem que os dois amigos se procurassem... E sem precisar marcar encontram-se no bar do Chico, olham-se, abraçam-se. Lili diz:
-Desculpa amigo! Nunca quis te magoar... Agora entendo que existe coisas no ser humano que nem sempre dá para contar para o melhor amigo.
-Desculpa também... Engraçado que fiz a mesma pergunta para você e você nem ligou. Mas... Vamos esquecer isso? Me conta gostosa, ta pegando quem?
-Ahahahaha!!! Cara... Continuo encalhada!
Os dois riem alto no bar do Chico, que olha com cara de quem vê uma longa noite pela frente...
*
Quase duas da madruga e Chico já havia passado algumas várias vezes o paninho na mesa dos dois... Eles demoram a entender, mas finalmente entendem e se retiram, não estavam bêbados, estavam trêbados! Riam descontroladamente e falam coisas sem nexo. Evandro diz:
-Lili, vou te levar em casa...
Liliane ri alto e responde:
-Você? Olha não sei como nos levaremos para casa...
Risos e mais risos e finalmente chegam na casa de Lili, os dois caem no sofá e continuam conversando coisas sem nexo. Até que Evandro diz:
-Lili, me dá um beijo?
-Oi?
-Um beijo Lili. Só um... Mas sei lá um beijo de amigo, não sei se é isso... (risos)
Lili dá um beijo no rosto do amigo. Momento de silêncio. Evandro faz um movimento rápido de joelhos no chão em frente ao sofá, puxa Lili com força e encaixa ela nele.
-Tô falando de um beijo entre um homem e uma mulher.
Puxa Lili novamente e dá-lhe um beijo na boca. Segura com força, sobe uma das mãos para os cabelos de Lili, continua a beijá-la ofegante. Lili não oferece resistência e retribui o beijo, enfia a língua na boca de Evandro e aperta ele contra seu corpo. Logo estavam sem roupas no quarto de Lili...

O dia seguinte é o dia mais esquisito depois que uma coisa dessas acontece. Uma mistura de ressaca, com “MELDELS o que aconteceu? “ surge no ar. Os dois se olham e não falam nada. Então Lili quebra o gelo.
-Eu pensei que você nunca me contou que  era gay.
Evandro ri.
-Não Lili, eu nunca te contei que há alguns meses comecei a me apaixonar por você... Tinha medo de te contar. Tinha medo da sua reação... Foi muito ruim?
Liliane fica um tempo quieta, olha para frente, abaixa a cabeça, mão na nuca... Levanta a cabeça, olha para Evandro e diz:
- Sabe... Eu quero te pedir uma coisa muito séria.
Evandro fica preocupado, pensa logo: “Ela vai dizer que nunca mais quer me ver”...
Então, Liliane completa com um risinho bem sacana:
-Vamos fazer de novo?